O Governo do Estado da Bahia vem se destacando como parceiro fundamental na implementação do Projeto Cacau Cabruca, uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) que visa promover a sustentabilidade ambiental e a produtividade do sistema de cultivo de cacau sob sombreamento nativo, conhecido como cabruca. Essa parceria reforça o compromisso das autoridades baianas com a conservação da Mata Atlântica e com o desenvolvimento econômico sustentável dos produtores rurais da região cacaueira.
O que é o Projeto Cacau Cabruca da FAO
O Projeto Cacau Cabruca é uma iniciativa técnica e financeira da FAO, em cooperação com o governo brasileiro e instituições locais, que tem como objetivo principal fortalecer a cadeia produtiva do cacau no sul da Bahia por meio de práticas agroflorestais sustentáveis. O projeto atua diretamente nos municípios da região cacaueira — incluindo Itabuna, Ilhéus, Uruçuca, Itacaré, Buerarema e surrounding areas — oferecendo suporte técnico, capacitação e incentivos para que produtores adotem manejos que conciliem produção econômica com preservação ambiental.
A cabruca é um sistema agroflostral tradicional desenvolvido há mais de um século no sul da Bahia, no qual o cacau é cultivado sob a copa de árvores nativas da Mata Atlântica que foram parcialmente desbastadas. Esse modelo permite a produção de cacau de alta qualidade com sombreamento natural, reduzindo a necessidade de insumos químicos e mantendo a biodiversidade do ecossistema original. A FAO reconhece o sistema cabruca como uma das práticas agroflorestais mais bem-sucedidas do mundo, capaz de armazenar grandes quantidades de carbono e abrigar centenas de espécies da fauna e flora ameaçadas.
A contribuição do Governo da Bahia
O Governo do Estado da Bahia, por meio de suas secretarias de planejamento, agricultura e meio ambiente, tem contribuído de forma significativa para a execução do projeto. A participação do estado envolve desde a mobilização institucional e a articulação intergovernamental até a disponibilização de recursos financeiros e técnicos para a implementação das ações nos territórios rurais.
Entre as principais frentes de atuação do governo baiano no projeto, destacam-se:
- Capacitação de produtores: Realização de oficinas, seminários e field days para ensinar técnicas de manejo sustentável do cacau, poda adequada das árvores de sombreamento e controle integrado de pragas e doenças.
- Apoio à certificação: Incentivo à obtenção de certificações ambientais como Rainforest Alliance, UTZ e Orgânico, que agregam valor ao cacau produzido em sistema cabruca e abrem acesso a mercados premium.
- Restauração florestal: Programas de recomposição da cobertura vegetal em áreas de preservação permanente e de passivo ambiental nas propriedades rurais, com fornecimento de mudas nativas e assistência técnica.
- Infraestrutura e acessos: Melhoria de estradas vicinais e acessos às comunidades rurais produtoras, facilitando o escoamento da safra e o acesso dos produtores a serviços e mercados.
- Articulação institucional: Coordenação entre órgãos estaduais, municipais, instituições de pesquisa como a UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz) e organizações da sociedade civil para garantir a efetividade das ações do projeto.
Importância para a região cacaueira
O sul da Bahia é historicamente a maior região produtora de cacau do Brasil e uma das mais importantes do mundo. A economia de municípios como Itabuna e Ilhéus foi construída sobre a cacaicultura, que ainda hoje emprega milhares de famílias e movimenta a agroindústria local. No entanto, ao longo das últimas décadas, a cadeia produtiva enfrentou crises severas, incluindo a praga da vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) que devastou lavouras nos anos 1980 e 1990, além de flutuações nos preços internacionais do commodity.
O Projeto Cacau Cabruca da FAO, com o apoio do governo baiano, representa uma oportunidade concreta de revitalização da cacaicultura regional de forma sustentável. Ao valorizar o sistema cabruca — que é patrimônio cultural e ambiental da região — o projeto contribui para:
- Aumento da renda dos produtores rurais através de práticas que melhoram a qualidade e o preço do cacau;
- Conservação de remanescentes da Mata Atlântica, que abrigam espécies como o mico-leão-de-cara-preta, o tucano e diversas espécies endêmicas de orquídeas e bromélias;
- Fixação de carbono na biomassa florestal, posicionando a Bahia como protagonista no enfrentamento às mudanças climáticas;
- Geração de emprego e renda em comunidades rurais que historicamente dependem da cacaicultura;
- Fortalecimento da identidade cultural da região, que tem no cacau um símbolo de tradição e orgulho.
Parcerias e articulação institucional
O sucesso do Projeto Cacau Cabruca depende de uma rede ampla de parcerias que vão além do governo estadual. A FAO atua como coordination facilitator, trazendo expertise técnica internacional e coordenando a colaboração entre diferentes atores. No âmbito federal, o Ministério da Agricultura e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) fornecem suporte técnico e científico. No nível local, prefeituras municipais, cooperativas de produtores, sindicatos rurais e ONGs ambientais desempenham papéis essenciais na execução das ações.
A Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), com sua forte tradição em pesquisas sobre cacau e agroflorestas, tem sido uma parceira estratégica do projeto, promovendo estudos sobre genética do cacau, manejo fitossanitário e monitoramento ambiental dos sistemas cabruca. Essa articulação entre governo, academia, iniciativa privada e comunidade internacional é apontada como modelo de governança para projetos de desenvolvimento sustentável em contextos regionais complexos.
Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços significativos, o projeto enfrenta desafios que precisam ser superados para garantir a continuidade e a ampliação dos resultados. Entre eles, destacam-se a necessidade de manter o fluxo de recursos financeiros em horizontes de médio e longo prazo, superar resistências culturais de alguns produtores que associam o sombreamento à baixa produtividade, e enfrentar as pressões do mercado imobiliário e da expansão agrícola que ameaçam remanescentes florestais na região.
Outro desafio relevante é a geração de dados confiáveis sobre a efetividade das práticas adotadas, permitindo ajustes técnicos e a demonstração empírica dos benefícios econômicos e ambientais da cabruca. Nesse sentido, o projeto tem investido em sistemas de monitoramento e avaliação que permitem acompanhar a evolução das propriedades participantes em indicadores como produtividade, conservação do solo, biodiversidade e renda familiar.
As perspectivas, however, são positivas. A demanda global por cacau sustentável e de origem rastreável tem crescido consistentemente, impulsionada por consumidores cada vez mais conscientes e por regulamentações internacionais como o Regulamento Europeu contra o Desmatamento. Nesse cenário, o cacau produzido em sistema cabruca no sul da Bahia tem condições competitivas excelentes para atender a esses mercados, desde que os esforços de melhoria da cadeia produtiva sejam mantidos e aprofundados.
Pontos-chave
- O Governo da Bahia é parceiro estratégico do Projeto Cacau Cabruca da FAO, contribuindo com recursos técnicos, financeiros e institucionais.
- A cabruca é um sistema agroflostral tradicional do sul da Bahia que cultiva cacau sob sombreamento de árvores nativas da Mata Atlântica.
- O projeto atua nos municípios da região cacaueira com capacitação, certificação, restauração florestal e melhoria de infraestrutura.
- A iniciativa contribui para conservação ambiental, geração de renda e valorização cultural da região.
- Parcerias entre governo, FAO, universidades e comunidade local são fundamentais para o sucesso do projeto.
- A demanda global por cacau sustentável cria oportunidades de mercado para o cacau cabruca baiano.
Perguntas Frequentes
O sistema cabruca é um método tradicional de cultivo de cacau desenvolvido no sul da Bahia, no qual as mudas de cacau são plantadas sob a copa de árvores nativas da Mata Atlântica que foram parcialmente desbastadas. As árvores de sombreamento, como o cedro, a samaúma e o jequitibá, fornecem a proteção solar necessária para o cacau prosperar, ao mesmo tempo em que mantêm a estrutura do ecossistema florestal, preservando a biodiversidade e contribuindo para a fixação de carbono.
A FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) atua como coordenadora técnica e facilitadora do projeto, trazendo experiência internacional em projetos de sustentabilidade agrícola. A organização mobiliza recursos, promove troca de conhecimentos entre países produtores de cacau e apoia a implementação de boas práticas agroflorestais na região cacaueira baiana.
O projeto atua em diversos municípios da região cacaueira do sul da Bahia, incluindo Itabuna, Ilhéus, Uruçuca, Itacaré, Buerarema, Aurelino Leal, Barro Preto e outras localidades da microrregião. A seleção dos municípios leva em consideração a importância da cacaicultura na economia local, a presença de remanescentes de Mata Atlântica e a disponibilidade de parcerias institucionais para a execução das ações.
Sim. O cacau produzido em sistema cabruca pode atingir preços premium quando certificado por esquemas como Rainforest Alliance, UTZ ou Orgânico. Essas certificações atestam que o produto foi cultivado de forma sustentável, com preservação ambiental e boas condições de trabalho, o que é valorizado por compradores internacionais, especialmente na Europa. Além disso, o cacau de origem agroflostral é cada vez mais demandado por indústrias de chocolate artesanal e por consumidores que buscam produtos com história e rastreabilidade.
Os produtores rurais interessados em participar do projeto podem entrar em contato com as cooperativas e associações de produtores locais, com a EMASA (Empresa de Meio Ambiente de Ilhéus e Itabuna) ou diretamente com assecretarias de agricultura dos municípios participantes. O projeto oferece assistência técnica gratuita, capacitação, mudas para restauração florestal e apoio para obtenção de certificações. A adesão é voluntária e baseia-se no compromisso do produtor com práticas sustentáveis de manejo do cacau.