Polícia Jornalismo Politica

Ilhéus: Polícia Federal cumpre mandados na prefeitura contra desvio de recursos públicos

Operação da Polícia Federal em Ilhéus contra desvio de recursos públicos

A Polícia Federal cumpriu na manhã desta terça-feira (15) mandados de busca e apreensão em vários pontos da Prefeitura Municipal de Ilhéus, no sul da Bahia, em operação que investiga suposto desvio de recursos públicos destinados a programas sociais e obras de infraestrutura no município.

De acordo com informações da Superintendência Regional da PF em Salvador, a operação, batizada de "Cacau Líquido", conta com o apoio do Ministério Público Federal e da Controladoria-Geral da União, e tem como objetivo apurar irregularidades na execução de convênios firmados entre a Prefeitura de Ilhéus e órgãos federais entre 2022 e 2024.

Os mandados incluem buscas no gabinete do prefeito, na Secretaria Municipal de Planejamento, na tesouraria e em dois escritórios de contabilidade que prestavam serviços à administração municipal. Segundo fontes policiais, ao menos três servidores públicos são investigados por participação no esquema de desvio.

O que se investiga

De acordo com o inquérito que fundamenta a operação, os investigados teriam desviado recursos de pelo menos quatro convênios federais, incluindo programas de assistência social, saneamento básico e pavimentação de vias urbanas. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de aproximadamente R$ 4,7 milhões.

A apuração aponta que valores repassados pela União para a execução de obras teriam sido direcionados para empresas fantasmas ou com vínculos familiares com os investigados. Contratos teriam sido superfaturados, e serviços constantes na documentação nunca teriam sido efetivamente executados, segundo os elementos收集ados pela PF.

"Identificamos movimentações atípicas nas contas de terceiros que guardam relação direta com o fluxo de recursos públicos", afirmou um delegado responsável pela investigação, sem se identificar em nota oficial divulgada pela Superintendência.

Reações da classe política local

A operação repercutiu imediatamente na política ilheense. Líderes da oposição na Câmara Municipal cobraram esclarecimentos urgentes e a convocação de uma sessão extraordinária para debater o caso. O presidente da Casa, vereador Marcos Tavares (PSD), disse que a Câmara acompanhará a investigação com atenção e que "o combate à corrupção é fundamental para a democracia".

O vice-prefeito de Ilhéus, que estava de posse no momento da operação, prestou esclarecimentos à PF e afirmou em nota que a administração municipal "colabora integralmente com as autoridades e tem plena confiança na justiça". A assessoria de comunicação da Prefeitura informou que o prefeito se pronunciará ao final da tarde.

Líderes de partidos aliados ao executivo, por sua vez, minimizaram a operação e classificaram a investigação como "politicamente motivada", sem apresentar elementos que sustentem a alegação.

Contexto regional

A operação em Ilhéus acontece em um momento de intensificação das ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal contra o desvio de recursos públicos em municípios do interior da Bahia. Nos últimos 12 meses, ao menos cinco operações semelhantes foram deflagradas em cidades da região cacaueira e do sul baiano.

A região, que enfrenta desafios significativos em termos de infraestrutura básica e serviços públicos, tem sido foco de auditorias mais rigorosas por parte dos órgãos de controle federais, especialmente após denúncias de que recursos do PAC e de outros programas de transferência condicionada teriam sido parcialmente desviados.

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) também acompanha de perto as investigações. O deputado federal pela região sul-baiana, em nota conjunta com outros parlamentares, reforçou que "a população do sul da Bahia merece transparência no uso do dinheiro público e que os responsáveis por eventuais crimes sejam responsabilizados".

Próximos passos da investigação

A Polícia Federal informou que a fase inicial da operação inclui a coleta de documentos, a análise de registros financeiros e a oitiva de testemunhas. Nos próximos dias, os investigados deverão ser convocados para prestar depoimento, e há a possibilidade de novas medidas cautelares, incluindo bloqueio de bens e contas bancárias.

O caso segue sob segredo de justiça, e a PF orientou que novas informações serão divulgadas mediante autorização do juízo federal responsável pela investigação.

A população de Ilhéus, cidade de aproximadamente 180 mil habitantes e polo econômico da região cacaueira, acompanha o desdobramento do caso com atenção, em meio a um cenário político local marcado por tensões entre aliados e opositores da administração atual.

FB X WA