Crianças que sobreviveram a queda de avião na Colômbia são encontradas após 40 dias

Crianças indígenas colombianas resgatadas após 40 dias na selva amazônica

Quatro crianças indígenas da etnia Huitoto foram encontradas vivas na selva amazônica da Colômbia na sexta-feira, 9 de junho, depois de passarem 40 dias desaparecidas following a queda de um avião bimotor Cessna 206 que as levava em uma viagem de emergência. A operação de busca, batizada de "Operação Esperança", mobilizou centenas de militares, voluntários e integrantes da comunidade indígena em um dos territórios mais remotos da Amazônia colombiana.

Como aconteceu o acidente

No dia 1 de maio de 2023, a aeronave decolou do município de Araracuara, no departamento de Caquetá, com destino a San José del Guaviare. A bordo estavam a mãe das crianças, Magdalena Mucutuy, de 30 anos, e os quatro irmãos: Lesly, de 13 anos; Soleiny, de 9 anos; Tien Noriel, de 4 anos; e um bebê de apenas 11 meses. A avó das crianças e um parente também viajavam no voo.

O avião apresentou falhas mecânicas pouco após a decolagem e caiu em meio à floresta densa. As autoridades colombianas localizaram os destroços apenas 16 dias depois do acidente. Infelizmente, a mãe e os dois adultos que viajavam com as crianças não sobreviveram. As crianças, porém, não estavam nos destroços quando a equipe de resgate chegou ao local.

Os 40 dias na selva

Desaparecidas em meio a uma das florestas mais densas e perigosas do mundo, as crianças mostraram uma resiliência extraordinária. Segundo informações divulgadas pelas Forças Armadas colombianas, Lesly, a mais velha, assumiu o papel de protetora das irmãs mais novas, cuidando delas durante todo o período de isolamento.

Os militares encontraram vestígios de que as crianças se alimentavam de frutas como o camu-camu, um fruto típico da região amazônica, e possivelmente de sementes e raízes. Elas também construíram pequenos abrigos temporários com galhos e folhas da floresta para se protegerem da chuva e do sol.

Apesar de encontrarem vestígios como pentes de cabelo, fitas coloridas e pedacinhos de tecido ao longo das semanas de busca, a equipe de resgate tinha dificuldades para localizar as meninas devido à vegetação cerrada e ao terreno acidentado da região.

A operação de resgate

A "Operação Esperança" foi uma das maiores operações de busca já realizadas na Amazônia colombiana. Participaram mais de 200 militares, além de membros da Aeronáutica, da Marinha e da Polícia Nacional. Equipes de indígenas Huitoto também foram incorporadas à busca, pois conheciam melhor o comportamento das crianças na floresta.

As equipes deixavam panfletos em espanhol e na língua Huitoto, orientando as crianças a se aproximarem de água e aberturas na floresta. Também deixaram caixas de alimentos e kits de socorro em diversas áreas da selva. Milhares de voluntários participaram das buscas, percorrendo centenas de quilômetros em meio à vegetação cerrada.

O general Pedro Sánchez, que liderou a operação, declarou à imprensa que "a esperança era o combustível que mantinha todos os dias a busca ativa". Ele destacou que a decisão de não encerrar as buscas, mesmo após semanas sem encontrar pistas concretas, foi fundamental para o desfecho positivo.

O momento do encontro

Na sexta-feira, 9 de junho, por volta das 15h30 (horário local), um helicóptero da Força Aérea Colombiana avistou as crianças em uma clareira aberta na floresta. A equipe de mergulhadores militares desceu em seguida e confirmou que todas as quatro estavam vivas e conscientes. As crianças foram imediatamente transladadas de helicóptero para o hospital militar em San José del Guaviare.

De acordo com o boletim médico divulgado pelas autoridades, as crianças apresentavam desidratação leve, desnutrição e algumas picadas de insetos, mas estavam em geral em condições de saúde surpreendentemente boas considerando o tempo que passaram na floresta. Lesly e Soleiny foram as primeiras a serem examinadas, e ambas conseguiram comunicar-se com os médicos de forma lúcida.

Reação internacional

A notícia da localização das crianças tomou conta das redes sociais e dos noticiários ao redor do mundo. O presidente colombiano Gustavo Petro celebrou o acontecimento, classificando-o como "um momento de alegria para o país". Ele publicou nas redes sociais uma foto das crianças sendo atendidas pelos médicos, accompagnée da mensagem: "A alegria do país! Eles estão vivos."

O caso relembrout a história dos "meninos da Serra Pelada" no Brasil, quando nove garotos sobreviveram 18 dias sozinhos na floresta após um acidente de avião na região amazônica em 1985. A semelhança entre os dois casos chamou a atenção da imprensa internacional, que passou a comparar a resiliência das crianças em ambos os episódios.

Contexto indígena na Amazônia colombiana

A comunidade Huitoto, à qual pertencem as crianças, é uma das etnias originárias da Amazônia, distribuída entre a Colômbia e o Peru. A região por onde a aeronave caiu é habitada por diversas comunidades indígenas e ribeirinhas, que vivem em contato parcial com a civilização urbana.

A floresta amazônica colombiana abrange cerca de 48 milhões de hectares e é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. Apesar de sua riqueza natural, a região enfrenta desafios como a dificuldade de acesso, a presença de grupos armados ilegais e a limitada infraestrutura de saúde e transporte.

O presidente Petro aproveitou o momento para reforçar o compromisso do governo colombiano com a proteção dos territórios indígenas e com o fortalecimento das equipes de busca e resgate em áreas remotas do país.

O que acontece agora

Após o resgate, as crianças passaram por um período de recuperação no hospital militar de San José del Guaviare. Equipes de psicólogos e assistentes sociais foram designadas para acompanhar o processo de reabilitação física e emocional das meninas. As autoridades colombianas afirmaram que a família das crianças foi contatada e que elas seriam reunidas com parentes próximos assim que seu estado de saúde permitisse.

O caso das crianças Huitoto se tornou um símbolo de esperança e resistência, inspirando milhões de pessoas ao redor do mundo. A história demonstra a força do vínculo familiar e a capacidade de adaptação humana diante das adversidades mais extremas.

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